Estou voltando. Pretendo voltar. Mas não vejo para mais o ponto de partida. Volto para onde?
Sou outra, mas a mesma de sempre. Vou pra onde?
Eu sabia para onde iria até ontem, mas ventou. Meu mapa voou, não sei pra onde.
Longe.
Era o meu destino. Mas não sei mais onde longe fica.
Com um caderno e uma caneta eu conquistaria o mundo. Mas a tinta da caneta acabou; as folhas do caderno voaram com o mapa. Era um vento forte, apesar de silencioso.
Existe uma papelaria que recarregue canetas de quem quer conquistar o mundo com palavras?
Eu só sabia escrever. Sentir. Hoje não escrevo. Penso.
Mas sou a mesma. Ainda sinto. Ainda vejo. Grito.
Mas não escrevo.
O silêncio me olha desafiador: me quebre e te darei o mundo.