Parar na frente do mar e se aquietar. Deixar que o mar fale por si o que todos nós não sabemos dizer.
Você já enfrentou o silêncio? Foi subitamente afogado por ele?
Às vezes tão ensurdecedor que sentimos falta do ruído; aquele que nos desconcentra, nos leva para longe de onde estamos.
O silêncio nos faz permanecer exatamente onde estamos como estamos. Parar e dar um giro completo para tirar uma fotografia panorâmica, fazer um mapa e escolher a próxima rota.
Há pessoas que tem medo do silêncio. Provavelmente porque ele lhes mostra a bagunça de barulhos que se meteram. Realmente torna-se assustador.
Tenho pensado muito sobre cuidado. Cuidar. O que isso significa?
Já vi pais gritando com filhos para tentar lhes ensinar algo. Vi filhos ficarem quietos, tentando ensinar algo aos seus pais. E vi o inverso também.
O silêncio faz parte do aprendizado. Não importa qual seja, quando for, com quem for; se não houver silencio, o aprendizado foge assustado, tentando fugir do caos que se instala na ausência do silencio.
Me pergunto agora é possível conseguir abstrair a beleza com ruídos e barulho?
Você consegue se imaginar vendo toda a beleza que há no pico do Himalaia ouvindo buzinas, pessoas gritando, crianças gritando, instrumentos desafinados?
Difícil não?!
Não estou dizendo que devemos viver mudos continuamente. Mas se não ficarmos em silencio, não vivemos.
Silencio para ouvir. Silencio para observar. Silencio para respirar. Aprender. Perceber.
O silêncio é extremamente provocador para o cuidado. Você já viu um hospital recebendo uma panelada?
Às vezes não gostamos de perceber o silencio, provavelmente porque ele indica que não há resposta. Na verdade, é justamente o contrário. Ele já é uma resposta, que devemos guardar dentro de nós, nos aquietarmos, esperar que a música venha nos mostrando a harmonia que está falntando.
O silêncio nos obriga a parar e observar o que está ao nosso redor.
Portanto, pare. Observe. Viva plenamente. Faça silêncio.



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